sexta-feira, 28 de setembro de 2007

The Czars - Angel Eyes (Sorry That I Made You Cry)

Eram cinzentos, como que a escolher um dia errado para nascer. Verdes também, julgo eu, se o sol neles se reflectia e me fazia ver coisas que antes não me tinham mostrado. E era também a graça de quem passa o tempo com solenidade, de quem não levanta nunca a voz mas tem a alma a pairar, constantemente. E os caracóis macios, caindo sobre os ombros, sem que estes deixemos de ver...
Caracóis soltos, impregnados de boa malícia e densos como densas são as leves mãos. Assim ficamos sem coração, vazios de amor porque toda a intensidade dos gestos e atitudes nos retiram o prazer de viver, se a eles não conseguirmos chegar.
Vazios de amor, porque todo ele se esvanece no primeiro olhar, no primeiro toque, no primeiro suspiro das primeiras levas.
Vazios como esses olhos. Como esses olhos que eram cinzentos, como que a escolher um dia errado para nascer.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

M. Ward - Lullaby + Exile (Transistor Radio)

Deixamo-nos levar pela banda que tocava as nossas canções. Por momentos, julguei que nunca nos iriamos separar....

....lembro as colinas em que deitamos no Arizona, as praias que palmilhamos de Brighton e as cascatas que jorraram em nós, como nelas jorrava o nosso amor, naquele vale da Patagonia...


...a música acabou e com ela acabou o baile. Apercebi-me passado uns momentos que nem te conhecia, nem sequer contigo tinha dançado mas que o desejei ardentemente e, bem, quando desejamos desta forma não temos senão que acreditar. Tu não o sabes, mas fomos muito felizes, neste e naquele sonho, enquanto a banda tocava.


Enquanto a banda tocava.........


domingo, 10 de junho de 2007

Elliott Smith, Last Hour (From a Basement on the Hill)

Pensei ainda em ficar, entre vós. Mesmo quando chegavas a casa e tudo o que fazias era passear como um fantasma mutado pelos corredores da maior solidão do mundo. E eu não te critico, não poderia fazê-lo. Deixei-me abater pela vida, largando a cada momento pedaços de mim, em acordes de guitarra. E escolhia sempre um cigarro, quando poderia usar o velho revólver que o meu tio me deixou.
Bem, hoje achei que era um bom dia para partir. Deixei umas canções de última hora no gravador de quatro pistas. Como não poderei cantar nesse outro lugar. julgo que libertei, num espasmo final, toda essa doçura e desespero. E é porque vos amo, que parto. Não porque me odeio.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

The Fools We Are As Men (Ryan Adams - Gold 2004)

Vem e acaba com o meu sofrimento. Desce, traz a mais divina das forças e termina a minha missão neste lugar. Porém, tenho algo a questionar-te:
Porque me criaste e me largaste por cá? Porque me deixaste cair num sítio tão insensato, mesquinho, inócuo, instável, prestes a explodir, mascarado, frio, feio, fundo, carnal, estranho, estúpido e cruel? Porque continuas sem intervir se com o teu dedo podes acabar com as nossas miseráveis existências? Porque continuas, incessantemente, a impedir que sejam as minhas mãos a perpetuar um favor que tu dever-me-ias ter feito?
E porque continuamos loucos, enquanto Homens? Porquê, Senhor?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Apollo 13, The Tears (Here Comes The Tears, 2006)

Não te leio mais as cartas, as mensagens escritas nos espelhos. Não te atendo o telefone, nem te sigo os pés. Não te aturo mais o choro nem as compras de vestidos e se pensas que quero saber novidades tuas, não percas tempo a tentar transmiti-las.
De ti quero carne, somente. De ti, quero o que tens entre as pernas e quero-te a boca e os seios. De ti quero apenas os gemidos, a luta sensual e intensa, os jogos sexuais para os quais me levas. Porque apenas nisso te tornaste única.
Fiquemos, ainda assim, com os corpos suados e os lábios roxos, na esperança de que um dia, alguém nos venha ressuscitar com a arma do amor.

domingo, 7 de janeiro de 2007

This Time, Suede (Sci-Fi Lullabies, 1997)

Na cidade que nunca dorme, eles acordavam todos os dias o seu amor. Como se uma relação fosse reciclável, qualquer pedaço precioso de felicidade era sugado e colocado nos seus corações, um contíguo ao outro, nunca suplantado nenhum.

m+e=sp

É a nova fórmula: simples, bonita, etérea. O Stereopen é o meu novo blog, onde vou juntar canções e estórias. Todos as publicações serão pequenos percalços da vida de pequenas pessoas, tendo uma canção como pano de fundo. Será a tentativa, bonita, de trasformar todo o bom pedaço musical numa boa estória, como que a provar que é possível exercitar a criação já finalizada numa outra forma de arte, completamente distinta. Façam desta casa, a vossa casa e nela repousem a mente, o coração e os ouvidos.